Rodrigo Ferreira, presidente executivo da ABRACEEL, destacou que o setor enfrenta a maior crise dos últimos 20 anos, com problemas de liquidez, distorções na formação de preços e aumento do risco de judicialização. Segundo ele, a falta de previsibilidade nos preços compromete a atividade de trading e reduz a oferta de energia no mercado. Apesar do cenário desafiador, Ferreira ressaltou que a abertura do mercado para consumidores do Grupo B, prevista para 2027, representa uma oportunidade relevante. A ABRACEEL anunciou medidas como a criação de uma central de monitoramento do mercado e mecanismos de autorregulação entre os associados.
Fernando Coli Munhoz, secretário executivo adjunto do Ministério de Minas e Energia (MME), enfatizou a necessidade de consolidar avanços regulatórios e implementar medidas legais já encaminhadas. Ele detalhou mudanças no acesso à transmissão, que deve adotar um modelo competitivo, e destacou a condução de leilões de capacidade, incluindo o primeiro certame voltado a sistemas de armazenamento. Coli também apontou como prioridade a definição de critérios para renovação de outorgas de geração e ajustes na obrigatoriedade de contratação de energia.
Ricardo Simabuku, conselheiro de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), anunciou que a instituição manterá sua diretoria atual durante a transição para o novo modelo de governança, garantindo a continuidade das operações. Ele também destacou a preparação da CCEE para a ampliação do mercado livre de energia, com melhorias operacionais e tecnológicas, como a criação de APIs e plataformas de comparação de preços. Segundo Simabuku, o segmento já soma cerca de 89 mil consumidores, evidenciando o ritmo de expansão do mercado.
Mario Menel, presidente da Fundação de Apoio à Sustentabilidade Energética (FASE) e da Associação Brasileira dos Autoprodutores de Energia (ABIAPE), ressaltou a complexidade do setor elétrico e seus impactos na economia. Ele destacou que a multiplicidade de agendas exige coordenação entre os agentes e afeta toda a cadeia produtiva, chegando ao consumidor final. “O setor elétrico é muito complexo e isso se reflete no preço do pão”, afirmou.
O Agenda Setorial 2026 reafirmou seu papel como espaço de construção de conteúdo e alinhamento de prioridades, promovendo o diálogo entre diferentes agentes do mercado diante dos desafios regulatórios e estruturais em curso.