O encerramento do Agenda Setorial 2026, realizado nesta quinta-feira (19) no Rio de Janeiro, trouxe debates de alto nível sobre os desafios e oportunidades do setor elétrico brasileiro. O evento, organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), contou com a participação de líderes e especialistas que discutiram temas como subsídios, novas tecnologias e a evolução do mercado.
No painel LRCAP, Novas Tecnologias e Flexibilidade no Setor Elétrico, Alexandre Viana, CEO da ENVOL, destacou a necessidade de reavaliar a política de subsídios no setor, que atualmente soma cerca de R$ 70 bilhões. Segundo ele, esses subsídios representam custos redistribuídos entre agentes e consumidores, o que distorce preços e reduz a eficiência econômica. “É muito difícil mexer no passado. O mais pragmático é parar de ampliar distorções e melhorar as regras daqui para frente”, afirmou. Viana também defendeu ajustes na geração distribuída e a adoção de mecanismos complementares, como o mercado de capacidade, para garantir sinais econômicos mais eficientes.
Ainda sobre o tema, Marisete Pereira, presidente da Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (ABRAGE), reforçou a importância de preservar a segurança jurídica ao revisar subsídios. “Mudanças retroativas enfrentam forte resistência e risco de judicialização. Precisamos avançar com ajustes estruturais voltados ao futuro”, disse. Ela destacou que a redução dos subsídios exige maior responsabilização dos agentes e um esforço coordenado entre instituições e mercado.
Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE), também abordou a questão, afirmando que o modelo atual de incentivos precisa ser revisado para evitar distorções e garantir eficiência. “O setor acumulou mecanismos que incentivaram investimentos desalinhados com a demanda do sistema. Precisamos de sinais de preço mais claros e de uma expansão mais racional”, afirmou.
Além dos subsídios, o debate trouxe à tona a importância de novas tecnologias para o futuro do setor. Alexandre Viana destacou que a adoção de soluções como armazenamento de energia e veículos elétricos conectados à rede depende de sinais econômicos adequados. “O preço é o elemento central para que essas tecnologias ganhem escala”, afirmou. Ele também ressaltou o papel dos medidores inteligentes, que permitem aos consumidores ajustar seu consumo com base em sinais de preço, contribuindo para a eficiência do sistema.
Joisa Dutra, diretora do FGV Cebri, trouxe uma perspectiva técnica ao debate, enfatizando que o desenho de mercado deve ser tratado como uma ciência estruturada, baseada em modelos econômicos e teoria dos jogos. “O aumento da participação privada tornou o setor mais complexo e dinâmico. Cada empresa precisa desenvolver suas próprias análises e entender como seus ativos se inserem no sistema”, afirmou. Para ela, a evolução do mercado exige maior capacitação técnica e engajamento direto dos agentes na formulação de modelos e regras.
O evento concluiu com um consenso entre os painelistas sobre a necessidade de um pacto setorial para reduzir subsídios, fortalecer a lógica de preços e promover a modernização do setor elétrico brasileiro. A transição deve ser gradual e pragmática, com foco em soluções viáveis no curto prazo e na construção de um mercado mais eficiente e sustentável.


