Nesta quinta-feira (19), o Rio de Janeiro foi palco do evento Agenda Setorial 2026, organizado pela Informa Markets em parceria com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL). O encontro reuniu especialistas e representantes do setor elétrico para debater os principais desafios e avanços relacionados à formação de preços no mercado de energia, destacando temas como inconsistências nos modelos de precificação, inovação tecnológica e iniciativas regulatórias.
Entre os pontos abordados, foram discutidas as discrepâncias entre os preços calculados e as condições reais do sistema elétrico. Casos de preços elevados em cenários de sobra de energia foram citados como exemplos de distorções que impactam a sinalização econômica e a operação do sistema. A calibração dos modelos, incluindo variáveis como despacho térmico, previsão de carga, vento e sol, foi apontada como essencial para ajustar os mecanismos de formação de preços à realidade operativa, especialmente diante do aumento da participação de fontes renováveis.
O evento também destacou o uso de ferramentas analíticas desenvolvidas em parceria com a Volt Robotics, que permitem comparar variáveis como custo marginal de operação, preço de liquidação das diferenças (PLD), programação de despacho e operação realizada. Essas iniciativas visam identificar divergências entre os modelos e a prática, ampliando a transparência e contribuindo para o aprimoramento dos sinais econômicos do setor.
Outro tema relevante foi a adoção de uma arquitetura aberta para os modelos do setor elétrico, proposta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A iniciativa prevê a disponibilização do código-fonte dos sistemas, permitindo que agentes do mercado adaptem e desenvolvam soluções próprias a partir da base existente. Essa abordagem open source busca estimular a inovação, reduzir limitações operacionais e ampliar a eficiência do setor, promovendo maior flexibilidade e autonomia para os participantes.
Além disso, o ONS anunciou a criação de uma nova área dedicada à modelagem, com foco em reduzir a dependência tecnológica de fornecedores externos e ampliar a capacidade interna de desenvolvimento. A proposta inclui a construção de uma arquitetura baseada em código aberto e desenvolvimento colaborativo, com participação de empresas, consultorias e universidades. O cronograma prevê mudanças significativas a partir de 2028, respeitando a governança setorial e os processos regulatórios.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) também apresentou avanços concretos no aprimoramento dos modelos de formação de preços. Foram identificadas 32 oportunidades de melhoria relacionadas a dados de entrada, premissas, restrições e modelagem, das quais 14 já foram implementadas. As análises realizadas pela CCEE destacaram que as divergências observadas refletem limitações inerentes aos modelos, reforçando a necessidade de ajustes contínuos para alinhar os sinais econômicos à realidade operativa do sistema.
Por fim, o evento abordou o equilíbrio entre precisão e tempo de processamento dos modelos, destacando que as simplificações necessárias para representar o sistema elétrico podem gerar diferenças entre os preços calculados e a operação real. Iniciativas recentes de análise comparativa entre modelos e operação já permitiram identificar dezenas de melhorias potenciais, parte das quais estão em fase de implementação.
O Agenda Setorial 2026 reforçou a importância de decisões técnicas e regulatórias conjuntas para enfrentar os desafios de um sistema cada vez mais complexo, com crescente participação de fontes renováveis e demandas por maior precisão e eficiência nos modelos de formação de preços. O evento destacou o compromisso do setor com a inovação, a transparência e o aprimoramento contínuo, visando garantir maior alinhamento entre os sinais econômicos e a realidade operativa do sistema elétrico.


